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Construir estilo: a aparência e sua trama subjetiva/social



(Colagem feita a partir das obras da artista plástica Paula Costa)


No livro Teoria de Moda: sociedade, imagem e consumo Sant´Anna (2014) pensa moda como sendo o “ethos das sociedades modernas e individualistas, que, constituído em significante, articula as relações entre os sujeitos sociais a partir da aparência e instaura o novo como categoria de hierarquização dos significados” (p. 97). Em outros termos, pensemos a moda como uma rede, uma teia de sentidos que podem ser articulados, consumidos, relacionados. Uma possibilidade de ser e se fazer no mundo a partir da aparência encarada como “locus de investimento e constituição da distinção social, que mais do que uma distinção entre as classes sociais é processo identitário, de si consigo mesmo e de si para com o outro; é a possibilidade de ser, de existir numa sociedade regida pelo mito da imagem” (p. 97).


Moda se escreve sendo texto de letras organizadas em sílabas, palavras e frases de conteúdos semânticos mas principalmente se escreve como texto visual: repleto de organização de sentidos, percepção e leitura visual. Observamos em nossos corpos o poder que a moda possui de articular significados sociais, valores culturais e desejos subjetivos para o sujeito, relacionando propostas de vínculos, arranjos, criações. Para ler “a moda” e não ler “sobre moda”, já nos alertou Barthes no livro “O sistema da moda”, ela deve estar bem escrita, organizada e formulada facilitando a apreensão e possível “decifração”.



Obra: Plastic Feelings, 2017 - Fotografia - Paula Costa 


Como, no caos contemporâneo, local de proliferação, pensamento não-linear, hibridismo e culto excessivo da imagem pela imagem, pode o sujeito gozar de uma escrita autoral em seu corpo?


Como estamos esculpindo e dialogando com nossas referências, valores e desejos?


Estamos processando aquilo que acreditando ou sendo digeridos pelo Outro?


O processo de uma consultoria de imagem e estilo pautado na escuta, respeito e valorização da diferença pode ser uma aposta ética em prol da invenção e da criação de si. Por aqui, trabalhamos por menos representação e por mais imaginação, pois acreditamos como bem nos aponta Maria Rita Kehl que: “um corpo não completa outro corpo, um desejo não corresponde a outro desejo, entre um sujeito e o objeto de que ele goza está sempre a linguagem, está sempre o Outro”. O dispositivo moda funciona como um campo de encontro do indivíduo e do social, da singularidade e da massificação.



Obra: Desejos, 2017 - Técnica: bordado sobre folhas - Paula Costa


Gosto de pensar que um corpo vestido é muito mais denunciador do que um corpo nu. É que esse ato de escolher aquilo que vamos vestir, feito dia após dia, por todos nós, querendo ou não, estando seguro ou não, é onde são comunicados consciente e (sempre) inconscientemente, nossos traços mais profundos, pois, seja por pudor, adorno ou proteção, um dia o homem cobriu o seu corpo.


É inegável que em nossa sociedade há um poder social bem evidente que é estabelecido e transmitido pela aparência, podemos e devemos nos questionar sobre ele, tentando ao máximo complexificar e flexibilizar suas imposições, fugindo de competições, da digestão de referências que não fazem sentido para o seu universo e de julgamentos. Porém, também faz um enorme sentido absorver este fato de forma natural por meio da criação de um estilo pessoal: um local de existência que ao mesmo tempo fala da minha personalidade e da vida que eu levo e/ou que preciso viver.


Pensemos estilo como algo particular, singular, único. Seu sentido difere desse caráter transitório e efêmero que preenche o conceito de moda na medida em que nosso estilo é uma tessitura feita a partir de traços que vigoram neste ou em outros tempos que a mim são caros. Estilo tem a ver com diferenciação e não com a cópia de um padrão ou modelo a seguir.


Essa sexta e sábado teremos uma maratona intensa de 9h mergulhados entre análise e tipos de estilo, tipos físicos, visagismo, análise da coloração pessoal (4 tons), planejamento e organização do guarda-roupa.


Vamos aprofundar e tecer juntxs essa potente trama?


Renata Santiago

Fortaleza, 24 de maio de 2020.

20:42












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