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Análise da coloração pessoal

Cor é uma sensação visual resultante de projeção de luz sobre um objeto. Onde não há luz, não existe percepção de cor. O uso da cor influencia a percepção da forma, portanto o consideramos como (importantíssimo!) elemento do design. As cores influenciam a maneira como percebemos as formas ao nosso redor e faz com que a gente sinta e tenha reações emocionais de acordo com o tratamento simbólico a que atribuímos para as cores. Exemplo: “o rosa seco me acalma” ou “uso batom vermelho para disfarçar quando estou triste”. Este pensamento é de forma interessante esboçado na citação abaixo onde Carol Garcia carinhosamente fala de sua relação com a cor da pantone Orange21C estampada em uma caneca.

"Com uma caneca laranja nas mãos, toda a minha aparência, anteriormente desbotada, ganhou a luminosidade energética que o alaranjado implica. Naquele dia enevoado por um cinza gélido de inverno europeu, um toque de cor foi capaz de alterar meu semblante, minha postura corporal, meus gestos faciais e, por conseguinte, toda a minha aparência, a minha disposição e a minha imagem diante do mundo. Concluí que o laranja estimula a mente, renova a fé na vida e é o perfeito antidepressivo. Não deu outra: o cansaço passou."(2013, p.116).




A análise da coloração pessoal é um estudo que pensa a teoria das cores na análise da morfologia (cor de pele, cor de olho e cor de cabelo) do sujeito. Isso significa analisar os aspectos relevantes ao valor, à intensidade, temperatura e ao contraste separadamente e em conjunto.


O artista e professor de arte da escola de Bauhaus, Johannes Itten, importante referência deste estudo, foi a fundo na investigação sobre as estações do ano e as sensações que elas nos despertam. Segundo o teórico das cores, apesar dos sentimentos e afetos individuais que atribuímos a cada cor, existe uma compreensão que é universal. Assim, de modo geral, as representações das estações do ano em paletas de cores nos mostram que as cores são percebidas da mesma maneira em uma dada situação.



(obra de johannes itten)


Suzane Caygil e Carole Jackson também foram autoras essenciais no histórico deste estudo; esta desenvolveu a teoria da “tipologia sazonal” onde determina que o tom da pele é fundamental para escolhermos as cores que ficam melhor em cada pessoa. Jackson também fez uso das 4 estações do ano para nominar os tipos de pele/coloração. Dessa forma, existem os tipos de pele da primavera, do verão, do outono e do inverno. O interessante é perceber que todas as paletas possuem todas as cores, apenas com matizes, valores, intensidades e temperaturas diferentes.



(Caygill Dusk Summer, Andie MacDowell)




(Carole Jackson - Color me Beautiful)




Sabemos que na teoria da análise da coloração pessoal cada pessoa fica bem com determinadas cores, com valor (claro ou escuro), temperatura (quente, amarelada ou fria, azulada) e intensidade (opaca ou viva) compatíveis com as suas cores naturais. Com relação à temperatura, as peles podem ser frias ou quentes. Existem 4 colorações pessoais que correspondem às estações do ano: inverno e verão (para peles frias); primavera e outono (para peles quentes).


O que norteia uma análise da coloração "precisa" é o conhecimento sobre teoria da cor aliado com a educação do olhar que vem da prática e da pesquisa sistemática.

Todo início de projeto passa por observar minuciosamente como acontece a interação da morfologia pessoal (a mistura das cores entre pele, olhos e cabelo) de cada sujeito.

Dessa forma, analisamos a matiz, a luminosidade, a saturação, a temperatura e o contraste de cada elemento, separada e coletivamente.



(obra ‘Mind Over Matter’, Dutch artist Suzanne Jongmans)


Analisar coloração pessoal é fazer alquimia, transmutar e reconstruir em prol do natural. Ouvir, sentir, desconstruir, olhar com minúcia, realizar anamnese com todos os sentidos. É sensibilidade e ao mesmo tempo prática disciplinada de educação do olhar. Trabalho que nos exige persistência, estudo teórico intensivo e quase que diário, pensamento complexo e sistêmico, capaz de tecer relações e combinações estéticas permeadas de luzes e sombras.


Renata Santiago

Fortaleza, 14 de junho de 2020.

20:22


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