quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

arte, moda e música: carta para david bowie


Sim querido Bowie, querido Ziggy, caro Aladdin Sane, dear Diamond, hey Duke: todos te conhecem agora. Te conhecem mas quem sabe nunca te desvendarão. Nem eu mesma que há 10 anos te estudo incessantemente e me surpreendo com a sua identidade cambiante, avant, sem precedentes. Artista múltiplo, incansável, livre e preso. Preso ao desejo inesgotável de colocar para fora aquilo que te move, aquilo que te angustia. Até o fim por ti dirigido fez sentido. Fica estrela, raio, trovão. Você nunca partirá, pois sempre servirá de referência para aqueles que não se encaixam, que ouvem os astros, que nasceram antes ou depois de seu tempo. 

Te lembro glam, hippie, minimal. Te lembro como excelente ator, te lembro dançando nas ruas como uma criança feliz com Mick ou chorando como um ser humano pequeno feito gente como a gente. Te lembro sofrendo em 1976 ou megalomaníaco em 1972. Te lembro na trilogia em Berlim onde tanto buscou se afastar dos vícios que te perseguiam através da arte e do desenho. Te lembro experimentando e se libertando em 1983 com Let´s Dance. O velho, o novo, o agora: você fusionou todos os tempos

Hoje, nesse dia chuvoso e nostálgico, após 11 dias da sua partida oficial para a Lua, finalmente termino de escutar todos os álbuns. Desde aquele garoto de 1967 'David Bowie´ até o tão recente e já meteórico Black Star. Continuo amando o minimalista Low, sua persona maluca em The Thin White Duke e o estilo folk andrógino de The Man Who Sold The World. Prometo para sempre te estudar, te ouvir, te falar para o mundo. 

Voltando ao hoje: preciso te deixar partir, encerrar meu luto de artista incompreendida que sofre sei lá pelo quê, que canta o amor da paixão platônica de não sei quem. Preciso guardar as melhores fotos de sua pupila para sempre dilatada e te doar palavras como agora estou a fazer. Quem sabe assim posso virar a página e começar de novo com a objetividade que me é necessária nesse momento. 

Concluo que todas essas horas a te escutar jamais me responderão. Suas letras são como a arte escrita, falada ou tridimensional que sofro para criar: são feitas para questionar, não para mascarar. São verdades abstratas que afagam ou maltratam os sentidos. Vou continuar seguindo estradas em busca de novas narrativas sinestésicas que envolvam aquilo que nós dois amamos tanto, com tanta paixão. É moda. É música. É arte. É vida. Sim, nós somos heróis, rebeldes, somos a resistência. Obrigada mestre!

Renata Santiago 
18:00
















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