domingo, 15 de novembro de 2015

O homem pode não admitir, mas ama seus paradoxos.


Colecionando emoções.  Farejando utilidades futuras? Todas as pesquisas e vivências, encontros e entraves: meios condutores de diálogos, identidades, ruídos. Ruídos que de certa forma trazem para dentro do processo novas vozes. "Muitas vezes um livro revela pra gente um lado nosso ainda não reconhecido. Lado, tendência, processo de expressão, tudo. O livro não faz mais do que apressar a apropriação do que é da gente". Quais memórias e diversidade de referências te representam? Nos reconhecemos nas diferenças que gritamos e nas colagens que recriamos. O mistério da continuidade, dinamicidade. 

Toda obra é inacabada, toda obra é um recomeço. Toda nova coleção é um desabafo: lados que se opõem, vestígios do que fui e sempre serei. Reflexos do quanto vou deixando por onde passo. Farol de que próxima direção tomará o caminhar. Caminhar aliado e excitando novos pensamentos e conexões. 

Um lado fica feliz de o destino não querer: de certa forma essa energia move a escalada. A questão é que não existe topo. Cada pedra é um território de enorme aprendizado. Cada dia continua sendo uma vida inteira. O pulsar só se fortaleça a cada fuga do real. O real está congruente. Congruência: o equilíbrio do desequilíbrio. É sempre vã a tentativa de determinar a origem de uma obra e seu ponto final. Nunca se sabe com precisão onde o processo se inicia e se finda. Só você continua vendo. 

Renata Santiago
19:31

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