quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Mal Estar na Civilização e a Busca da Felicidade

(Arte Surrealista do artista canadense Rob Gonçalves)





Para Freud (1930), a definição de civilização passa por proteção do homem contra a natureza e regulamentação das relações humanas. Salienta-se que a civilização impõe aos indivíduos uma limitação de seus impulsos pulsionais (sexuais e agressivos) com o objetivo de preservar a coesão do grupo.

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 Porém, a civilização fracassa em proporcionar a felicidade que se espera dela. Por que é difícil para os homens serem felizes? Segundo o autor, a culpa é da civilização que não consegue proteger o sofrimento embora seu objetivo seja o de prevenir esse sofrimento. Observa-se que civilização não significa progresso e que a tecnologia não cumpriu aquilo que prometeu.


 Visão pessimista ou visão lúcida sobre a condição humana? 
  
    A questão da religião é ancorada na psicologia individual e possui origem profana. Representa um equilíbrio precário: o ser humano em uma civilização destinada a protegê-lo e que paradoxalmente pode destruí-lo. Pelo fato de restringir as pulsões sexuais e agressivas dos indivíduos com o objetivo de manter a coesão da sociedade, a civilização entra em conflito com seus membros tomados individualmente que, caso se revoltem, podem destruí-la.

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    O “Mal Estar na Civilização” representa o sentimento de culpa resultante do conflito do superego (civilização) x ego (interesses individuais). O sentimento oceânico tratado no texto reflete um resíduo de um desejo infantil, pautado em uma sensação de eternidade e de um sentimento de união indissolúvel com o grande todo e de pertencimento ao universal.
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O sentimento de ilimitado que trata o sentimento oceânico corresponde à sobrevivência do adulto desse sentimento de união experimentado pelo bebê. Freud nega o sentimento oceânico como sendo fonte da necessidade religiosa. Freud considera que a necessidade religiosa tem origem na dependência infantil e na nostalgia do pai protetor. Dessa forma, o sentimento religioso tem o objetivo de negar os perigos pelo qual o homem se sente ameaçado vindos do mundo exterior a fim de encontrar um consolo. Para Freud (1930), a religião propõe intimidação da inteligência, delírio coletivo, infantilismo psíquico, poupa uma neurose individual, rebaixa o valor da vida e deforma a imagem do mundo real.


·         No texto Freud afirma que o objetivo da existência é buscar a felicidade e evitar o sofrimento. Todo sistema religioso tem a finalidade de decifrar o enigma do universo, assegurar que uma providência benevolente zela por sua vida e prometer uma vida após a morte. Dessa forma, a necessidade religiosa vem da fixação na fase infantil que poucos superam. Se descartarmos o objetivo proposto pela religião, qual é então o objetivo da existência? Na verdade o princípio do prazer (que discutiremos em outra oportunidade) determina o objetivo da vida.



      A civilização atual evitará sua autodestruição?


O sentimento de culpa constitui o problema crucial do desenvolvimento da civilização, e todo progresso tem de ser pago com a perda da felicidade e um reforço do sentimento de culpa.  


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A busca da felicidade é algo individual. Nenhum conselho é válido para todos cada um deve buscar para si mesmo uma maneira de ser feliz. Nesse sentido, a psicoterapia auxilia na busca pelo autoconhecimento que ao ser alcançado gradualmente com trabalho em conjunto trará benefícios na autoconfiança, autoestima e tranquilidade para a realização de escolhas e decisões conscientes e coerentes com a realidade individual de cada sujeito. 








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