terça-feira, 22 de abril de 2014

O fetiche para a psicanálise

(Arte Surrealista de René Magritte)


Provavelmente a nenhum indivíduo humano do sexo masculino é poupado o susto da castração à vista de um órgão genital feminino. Por que algumas pessoas se tornam homossexuais em conseqüência dessa impressão, ao passo que outras a desviam pela criação de um fetiche, e a grande maioria a supera, francamente não somos capazes de explicar. É possível que, entre todos os fatores em ação, ainda não conheçamos os decisivos para os raros resultados patológicos. Temos de nos contentar se pudermos explicar o que aconteceu, e deixar atualmente de lado a tarefa de explicar por que algo não aconteceu (FREUD, 1927).



O fetiche não é visto como sofrimento e sim como algo que lhe trás prazer. O perverso não vai à terapia por conta da sua perversão. Quando a descoberta do fetiche surge na análise é algo subsidiário. O fetiche funciona como um substituto do falo (pênis). É uma espécie de negação pela castração da mulher (mãe). Podemos pensar que se a mulher é castrada, então seu próprio pênis está em perigo. O fetiche funciona como uma negação da falta de pênis na mulher. O perverso sabe que a mulher é castrada, mas ele tende a negar.


A mulher que serve é a fálica. Dessa forma, o perverso substituiu o pênis por um fetiche.  Exemplo de fetiches: lingerie, sapato, pés.. O fetichista é aquele que só consegue ter prazer sexual na presença de seu fetiche. Tal sujeito não suporta e tem horror à castração, possuindo verdadeira aversão aos órgãos genitais reais das mulheres. O fetiche surge como um substituto do órgão genital constituindo assim uma saída ao homossexualismo. Observa-se que cada fetiche é particular e que ele surge para acabar com o trauma da castração. Vale ressaltar que o fetichista sabe que a mulher é castrada mas ele nega esse fato. O perverso sabe das leis mas as nega.


Dificilmente o perverso procura terapia. A perversão não é vista como um problema e sim como solução. O comportamento de um perverso é o comportamento de um infrator. Ele sabe, sente culpa mas esconde a lei, faz de conta que ela não existe. Conclui-se que geralmente o fetichista não chega na terapia já que o fetiche representa uma solução.



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