quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sobre os sonhos - Freud (1901)


 
(Arte: Vladimir Kush)

O texto Sobre os Sonhos foi escrito por Freud em 1901. Um ano depois de uma de suas obras mais importantes "A Interpretação dos sonhos" lançada em 1900. Para muitos autores, como Jean-Michel Quinodoz (autor do Livro "Ler Freud"), "Sobre os Sonhos" deve ser lido antes de "A Interpretação dos Sonhos" pois isto possibilitará ao leitor uma compreensão mais profunda sobre esta complexa obra.

Em primeiro lugar devemos saber que além de sua função biológica de manter o sono, os conteúdos dos sonhos podem ser interpretados através da análise (fazendo uso do método da associação livre) e possuem um "sentido".

Freud afirma que vivemos no sonho, de forma disfarçada, um desejo inconsciente. Nesse ponto podemos associá-lo ao sintoma na medida em que este é criado para que não se entre em contato com aquilo que causa angústia. Ou seja, o sintoma é criado no lugar da lembrança intolerável. 

Como já foi falado no post que escrevi em Maio "A visão da psicanálise sobre os sonhos" (basta clicar nesse link para ler na íntegra), o enredo onírico é dividido em conteúdo manifesto e latente. O conteúdo manifesto do sonho (uma espécie de "fachada") é muito mais curto do que os pensamentos aos quais ele substitui (o conteúdo latente - o significado real do sonho). Dessa forma, o "trabalho do sonho" seria justamente transformar o conteúdo latente em conteúdo manifesto, sendo este disponível. O trabalho da análise seria portanto transformar o conteúdo manifesto em latente. 

No estado de sono ocorre um relaxamento da censura. Isso torna possível o que estava recalcado facilitar-se o caminho para a consciência. Vale ressaltar que a censura nunca é completamente eliminada, mas sim reduzida. O material recalcado tem de submeter-se a certas alterações que atenuam seus aspectos ofensivos. 

O conteúdo do sonho é a representação de um desejo realizado. O seu conteúdo é feito por censuras no material recalcado. Os estímulos sensoriais surgidos durante o sono influenciam o conteúdo dos sonhos. 

Para Freud há 3 tipos de sonhos de acordo com a realização do desejo: 

1) Sonhos com desejo NÃO recalcado -> sonhos do tipo infantil (são raro nos adultos) 
2) Sonhos que expressam disfarçadamente um desejo recalcado (o que mais acontece nos adultos)
3) Sonhos que representam um desejo recalcado sem disfarce (sonhos que causam angústia - pesadelos) 

Vale ressaltar que os sonhos das crianças são da primeira ordem já que elas ainda não possuem o superego desenvolvido.

O sonho da criança é de fato a realização do desejo na medida em que o conteúdo manifesto coincide com o conteúdo latente. As crianças realizam desejos que haviam sido ativados durante o dia, mas que por algum motivo permaneceram irrealizados. Outra característica dos sonhos infantis é a sua ligação com a vida diurna. A criança compensa no sonho aquilo que o dia anterior não pode lhe dar. 

No caso dos adultos, mesmo os sonhos que têm a aparência de serem claros raramente são tão simples quanto os das crianças e por trás da realização do desejo "evidente" pode ocultar-se algum outro sentido. 

O material do sonho é composto por imagens sensoriais, em sua maioria, de caráter visual. Importante salientar que o sonho é representado no presente do indicativo. Isso significa que o sonho mostra o desejo já realizado. Representa sua realização como real e presente.

Finalizamos o texto de hoje com 3 Curiosidades com relação aos sonhos:

1) Vários sonhos na mesma noite estão ligados ao mesmo pensamento onírico. 
2) A sensação de inibição do movimento, tão comum nos sonhos, serve também para expressar uma contradição entre dois impulsos, um conflito da vontade. 
3) O absurdo no sonho significa a presença, nos pensamentos oníricos, de contradição, escárnio e ironia.

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