quarta-feira, 17 de julho de 2013

Moda, Mulher e Psicanálise





Segundo a psicanálise, as pessoas investem em si seguindo os padrões da moda na busca pelo investimento do Outro (COELHO, 1996). Desejamos, avidamente, através da nossa pulsão escópica (vontade, desejo de olhar e ser visto), um olhar desejante (olhar esse que certifica nossa existência) que "funciona" até como um prolongamento do tato. E é aí que vem a moda, auxiliando o sujeito na realização de suas manipulações. Com o fenômeno da moda, o sujeito estará sempre fazendo um retorno do Édipo ao Narcisismo; do social ao íntimo.
Lipovetsky (1989) defende que o que alimenta a moda é justamente essa vontade de olhar e ser olhada, característica forte do comportamento da modernidade. Ainda segundo o pensamento do mesmo autor, a moda representa um elemento civilizador, formador de costumes sociais e de sociabilidade, e que através da mudança constante de gostos, hábitos e comportamentos conseguiu remodelar a sociedade inteira à sua imagem, tornando-se hegemônica.
A moda e a psicanálise representam campos de saberes, já que se tratam de fenômenos sociais típicos da modernidade em que seus estudos informam sobre os indivíduos e o imaginário da sociedade contemporânea. Ambas são influenciadas pela cultura e história de uma época e, funcionam através da compreensão e análise do homem, visto aqui como um sujeito dotado de instâncias e motivações mentais, como o inconsciente. Coelho (1996) aponta que: “a moda pode ser vista como mãe sedutora dando à mulher excitação, prazer, completude e aprisionamento” (p.17).
Quando relacionada com a teoria psicanalítica, a moda pode ser analisada como um sistema todo poderoso, que exerce tanto a função paterna quanto materna, oferecendo um leque de imitações, leis, regras e autoridades que auxiliam na estabilização da identificação feminina. Atua como se dissesse para a mulher o que tem de ser feito. 

Para Coelho (1996) a aparência exerce um poder social perante a sociedade atual, sendo assim “uma das finalidades do vestir, entre tantas, como podemos constatar através da história, parece ser a demonstração de poder e autoridade, concretizando de certa forma alguma imagem psíquica pessoal” (p.50). Portanto, a moda seria uma maneira de estruturar o ego da mulher, num eterno jogo de sedução onde será sempre mantida a ativa esperança de encontrar aquilo que lhe falta. Ainda segundo a mesma autora (p.52): “Neste jogo as mulheres são mestras e a moda também, pois a primeira espera receber o que sabe que não tem, e a segunda promete o que não dá”.
A cada nova moda, a mulher pode encontrar o seu algo perdido, aliviando de certa forma a sua angústia: uma verdadeira ilusão de completude que preencha o não lugar feminino (COELHO, 1996). Ainda de acordo com as ideias da mesma autora: “A mulher evoca poeticamente a moda para levá-la ao seu próprio mundo mítico, mundo encantado, onde ela poderá se vislumbrar e se entrever com todas as possibilidades” (p.101).

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