quinta-feira, 13 de junho de 2013

O setting terapêutico

(Arte: Vladimir Kush)
 
O setting, para Zimerman (1999), se conceitua como "a soma de todos os procedimentos que organizam, normatizam e possibilitam o processo psicanalítico". 

O setting é estabelecido logo no início do tratamento. Na construção do contrato algumas regras devem ser expostas com o objetivo de formar o setting. Porém, o setting vai além de regras normatizadoras pois abrange questões relacionadas à ética e aliança terapêutica. Isto posto, vale ressaltar que o terapeuta deve também deixar claro as funções e obrigações, tanto dele próprio (neutralidade, abstinência...) como as do paciente. 

O terapeuta precisa falar sobre o tempo de duração de cada sessão, os dias e horários de atendimento, assim como deve deixar acertado todas as questões referentes a seus honorários. Outras questões mais subjetivas vão se constituindo durante o processo terapêutico. 

Sobre os honorários é de suma importância que o valor não seja irrelevante para o paciente, simbolizando assim um investimento em sua saúde mental. Já o terapeuta tem que cobrar uma quantia que seja satisfatória para ele, pois este tem que sentir seu trabalho valorizado. Em psicanálise não podemos trabalhar por filantropia, pois fatores financeiros influenciam diretamente no tratamento. 

O setting se põe de forma que propõe a desigualdade dos papéis, não a igualdade. Paciente e terapeuta devem ter noção da posição que ocupam naquele momento, o que levará o paciente a acreditar que o terapeuta tem um saber sobre ele que ele mesmo não possui ("sujeito suposto saber"). Isto irá facilitar a transferência que será utilizada da forma mais conveniente para o tratamento pelo terapeuta ("manuseio da transferência"). 

Para Zimerman (1999), a função mais nobre do setting consiste na criação de um novo espaço onde o analisando terá a oportunidade de reexperimentar com o seu analista a vivência de antiga e decididamente marcantes experiências emocionais conflituosas que foram mal compreendidas, atendidas e significadas pelos pais do passado e, por conseguinte, mal solucionadas pela criança de ontem, que habita a mente do paciente adulto de hoje. 

Não deixe de comentar, perguntar ou sugerir temas para nossos futuros textos. 

Dr. Ivo Rafael Pinheiro (CRP-11/08023)
Psicólogo Clínico - Abordagem: Psicanálise
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Consultório: 
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