quarta-feira, 29 de maio de 2013

A função materna para a psicanálise

(Arte de Gustav Klimt)

Hoje vamos dialogar sobre a importância da função materna sob o viés psicanalítico. Ao nascer o ser humano necessita de outro para sua sobrevivência. Precisa da mãe, ou alguém que exerça a função materna, que tenha a missão de apresentar o mundo para a criança.

Nos primeiros meses de vida o bebê não diferencia o que é ele próprio e o que são os objetos do mundo externo. É como se ele e a mãe fossem um só. Apenas com o tempo é que a criança vai perceber a diferença dela e do mundo, criando assim a sua individualidade.

No início da sua vida o bebê sofre de uma grande ansiedade, medos e terrores, pois está diante de sensações corporais e estímulos desconhecidos até então para ele. Dessa forma, a mãe tem a essencial função de conter esta ansiedade, sendo compreensiva e receptiva e dando sentido a estas vivências. A mãe acaba por colocar um pouco de si no bebê que se "aliena" à visão da mãe, e acaba por compartilhar sua forma de ver a vida.

Outra coisa importantíssima é o afeto da mãe com o filho: o contato físico, o olhar da mãe para o bebê, a hora de amamentar, dar banho, cantar, contar historias. Estes são exemplos de alguns momentos de investimento de afeto da mãe com o filho que proporcionarão um desenvolvimento de uma criança segura e saudável.

Outro conceito interessante da psicanálise desenvolvido por Winnicott é o da " a mãe suficientemente boa". Esta mãe dedicará afeto e satisfação de suas necessidades fisiológicas, sabendo ao mesmo tempo lidar com a separação. Vale ressaltar que essa separação é inevitável e essencial para um bom desenvolvimento psíquico a fim de que a criança possa suportar ficar sozinha gradualmente.

Ou seja, uma mãe não precisa ser "perfeita" no sentido de proporcionar tudo para o filho. Ela precisa sim acompanhar o filho em suas necessidades básicas iniciais e gradualmente sair de cena para um pleno amadurecimento e autonomia.

Dr. Ivo Rafael Pinheiro (CRP-11/08023)

Psicólogo Clínico - Abordagem: Psicanálise

(85) 9154-2062


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Um comentário:

Raquel S. Freire disse...

Oi Dr. Ivo. Muito bom ler sobre maternidade. Eu tenho lido e também concordado muito com o que escreveu. É muito importante a mãe (e o pai também) acomodar o bebê neste novo mundo. Tudo para ele é novo e eu já posso imagina como é difícil e novo para o bebê conhecer todas essas sensações. Estávamos lendo também esse fim de semana a importância do pai em apoiar a mãe para que essa díade (mãe e filho) seja completa. fica a dica e a reflexão para novo texto: "A importância da função paterna para a puérpera ou para a díade mãe e bebê".