domingo, 7 de outubro de 2012

Dica de série: Sessão de Terapia

Na última semana tivemos a estreia da nova série "Sessão de Terapia" no canal gnt. O roteiro do programa que já está presente em vários países chegou ao Brasil através da direção de Selton Mello. O seriado nos mostra o dia a dia de um terapeuta e seus pacientes. O horário? De segunda a sexta-feira às 22:30h.

Nota-se a preocupação de seus autores em ser fiel à teoria psicanalítica (criada por Freud) que viveu de 1856 a 1939. Porém, vale ressaltar que o ambiente criado na TV não condiz 100% com a realidade vivenciada na clínica psicanalítica. Fato compreendido por se tratar de um programa televisivo que tem de ser rápido e atrativo.
Como adoramos o assunto, tivemos a ideia e a preocupação de mostrar no blog alguns conceitos básicos da psicanálise para quem curte e gostaria de entender um pouco sobre esse universo tão complexo e interessante. 

No segundo episódio, Theo (o terapeuta) fala para um paciente (Breno) que "aqui" (no setting terapêutico), "o paciente nunca tem razão". Isto porque a teoria psicanalítica acredita em uma instância da psiquê denominada inconsciente. É nele onde estão os desejos reprimidos e conteúdos censurados à nossa consciência. O inconsciente contém ideias reprimidas que são impedidas de se tornarem conscientes pois representam um material ameaçador ao sujeito. 

Um conceito imprescindível para a psicanálise é a transferência que representa um deslocamento do sentido atribuído a pessoas do passado para pessoas do nosso presente. Na terapia, o desejo do paciente será representado de forma atualizada como repetição de modelos anteriores infantis (figura dos pais ou substitutos) voltados para a figura do analista.  O manuseio da transferência pelo analista é fundamental pois isto diferencia a conversa com um amigo.

O método de escuta da psicanálise é a associação livre, onde o analista favorece a livre fala do paciente sem pressionar (algo que não ocorre durante a série, por motivos anteriormente citados). Isto leva a um encadeamento das ideias trazendo à consciência o material recalcado. Cabe ao analista, através da associação livre, realizar interpretações que vem a facilitar a tomada de consciência do conteúdo reprimido.

Vale ressaltar que existem mecanismos de defesa do aparelho psíquico que impedem lembranças dolorosas de se tornarem conscientes. O sujeito acaba por substituir a lembrança pelo sintoma. Porém, há formas de expressão do inconsciente às quais o analista deve estar atento, pois a partir deles seus desejos são expostos, o que para um analista experiente aparecem claramente. Vamos conhecer algumas dicas?!

1) CHISTES: são jogos de palavras que são ditos em tom cômico, mas seu sentido ultrapassa o seu conteúdo. Por que você acha que existem tantas piadas racistas e preconceituosas?! Fique atento, pois sua risada sobre determinadas piadas falam muito sobre você! 

2) ATOS FALHOS: também manifestam desejos inconscientes através de lapsos de linguagem durante a fala, onde palavras são substituídas por outras que aparentemente não fazem sentido, mas na realidade expressam o que está reprimido. 

3) SONHOS: de forma disfarçada é de fato a realização de desejos inconscientes. Ele sofre deformações com o objetivo de proteger o sujeito de seu caráter ameaçador. 

4) NEGAÇÃO: quando o sujeito nega veementemente algo e esta questão causa uma reação exagerada. Situação importante de investigar! 

5) DESLOCAMENTO: quando o sujeito desloca um sentimento seu para outra pessoa. Como exemplo podemos citar uma mulher que está com muita vontade de se relacionar sexualmente e ao ver um casal se beijando em um local público, fala que aquilo trata-se de uma "pouca vergonha". 

Curtiu?! Pois fique ligado nos próximos posts com a tag psicanálise! 

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