quinta-feira, 12 de julho de 2012

Moda e percepção social



A gente sempre conversa aqui sobre a importância da imagem pessoal. A verdade é que os nossos modos peculiares de trajar (nossas escolhas, identificações e diferenças) constituem um imenso acervo móvel e mutante, acessível e que serve para os mais diversos exercícios de prática para a construção de significados. O livro Moda também é texto (AMO!) da autora Sandra Ramalho e Oliveira tem uma citação bem interessante que vale a pena ler e refletir:

Não é a linguagem de um corpo vestido a primeira que vemos todos os dias, no espelho, antes de sair de casa? Não é essa a espécie de imagem que percebemos em todas as pessoas que encontramos, todas as horas de todos os dias, fortuitamente ou não, querendo ou não, no trabalho, no lazer, nos espaços públicos ou privados? Não é, por acaso, o traje, a embalagem especial - embora tão diversificada -do mais precioso "produto" sobre a face da terra, o ser humano?

Nesse contexto, a moda é considerada um fator importante na socialização dos homens. Entende-se por socialização o processo pelo qual o indivíduo adquire os padrões de comportamento que são habituais e aceitáveis nos seus grupos sociais. Esse processo de pertencer a um grupo começa na infância e perdura por toda vida, sendo importante sua compreensão para entender a lógica do sistema da moda que funciona pregando papéis e comportamentos que devem ou não ser seguidos. 


É fato que não se pode subestimar o poder da comunicação não-verbal. O psicólogo Albert Mehrabian, grande estudioso sobre os efeitos da primeira impressão, fala que: bastam 30 segundos para que a análise e julgamento da imagem sejam feitos. Em cerca de 55% destas impressões iniciais há influência do visual (roupas, acessórios, cabelo, maquiagem), 38% da postura (expressões e gestos) e apenas 7% do discurso. Dessa forma, a visão é o sentido responsável por 80% de nossa percepção. Logo, acreditamos mais no que vemos do que no que ouvimos, tornando-se essencial os cuidados com a imagem e estilo. 

Segundo Braghirolli (1990, p.63): “Chama-se percepção social ao processo pelo qual formamos impressões a respeito de outra pessoa ou grupo de pessoas”. A autora afirma que nunca temos percepções isoladas e frisa a importância das “primeiras impressões”, sendo consideradas até como duradouras: "As primeiras impressões determinam em muito o nosso comportamento em relação às pessoas e têm probabilidade de se tornarem estáveis, talvez pela tendência dos seres humanos de corresponderem às expectativas a seu respeito."

E aí?! Já parou para pensar sobre a percepção que você tem de si e anda mostrando para o mundo? 

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