segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Dica de livro: Os porcos-espinhos de Schopenhauer



O livro da psicanalista Deborah Anna Luepnitz é envolvente e age oferecendo descobertas de nós mesmos através da intimidade e dilemas de cinco histórias de psicoterapia vivenciadas em seu consultório. São elas:

1. A mesma cama, sonhos diferentes. (Terapia de casal muito interessante. Sobre o amor aristofânico e a inexistente alma gêmea)
2. Natal em julho. (Sobre doenças psicossomáticas - Adorei!)
3. O Don Juan de Trenton. (Para aqueles que não conseguem envolver-se por muito tempo em um relacionamento).
4. Um tentilhão darwiniano. (Leitura de hoje)
5. A devoradora de pecados. (Leitura de amanhã)

Ainda não terminei o livro e já indico para você que também curte desvendar os mistérios e tramas do inconsciente. A introdução do livro, abrindo espaço no amor para o ódio, é fantástica. É lá que a autora explica o título do livro e aborda ideias e pensamentos de filósofos e psicanalistas como Freud, Lacan, Winnicott e é claro, Schopenhauer. Todas as histórias e casos explorados possuem como inspiração a fábula dos porcos-espinhos de Arthur Schopenhauer, super citada por Freud sem seu livro sobre a psicologia das massas.

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"Um grupo de porcos-espinho ia perambulando num dia frio de inverno. Para não congelar, os animais chegavam mais perto uns dos outros. Mas, no momento em que ficavam suficientemente próximos para se aquecer, começavam a se espetar com seus espinhos. Para fazer cessar a dor, dispersavam-se, perdiam o benefício do convívio próximo e recomeçavam a tremer. Isso os levava a buscar novamente a companhia uns dos outros, e o ciclo se repetia, em sua luta para encontrar uma distância confortável entre o emaranhamento e o enregelamento".

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Freud então discutia sobre os limites existentes em toda relação íntima. Dizia: "Os dados da psicanálise mostram que toda relação afetiva íntima de certa duração entre duas pessoas - casamento, amizade, relações entre pais e filhos - contém um depósito sedimentar de sentimentos de aversão e hostilidade, que só escapa à percepção em decorrência do recalque".


Reconfortante. Não somos todos assim?!
 

 

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