segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A poesia: uma busca

Concordo, a vida inteira é uma busca. A busca pelo quê seria a grande inquietação. Buscamos estudando, buscamos na arte, buscamos no amor, buscamos no sofrimento. E quem melhor do que os poetas contemporâneos Lou Salomé e Rilke para falar sobre essa inquietação marcada por paixão, solidão.. ambiguidades? Ambos retratam o amor como um estado em que individualidades devem ser esclarecidas, em que vivenciar uma experiência amorosa é antes de tudo crescimento, entrega, troca. Simbiose e não parasitismo. Fica a conclusão de que apenas quando desistimos de lutar para idealizar quem somos ou teatralizar o outro é que experimentamos o amor real, palpável: possível. 




"só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro." (Lou Salomé)

"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe." (Rainer Maria Rilke)



2 comentários:

lulu disse...

Amei o post!

"Pois o Belo nada mais é do que o começo do Terrível, que ainda suportamos; e o admiramos porque, sereno, desdenha destruir-nos." (Rainer Maria Rilke, em Elegias de Duíno)

lulu disse...

Amei o post!

"Pois o Belo nada mais é do que o começo do Terrível, que ainda suportamos; e o admiramos porque, sereno, desdenha destruir-nos." (Rainer Maria Rilke, em Elegias de Duíno)