domingo, 21 de agosto de 2011

Como uma partida de xadrez



A vida é como uma partida de xadrez
, tal frase martelou na cabeça durante as últimas 33 horas. Quem joga ou ao menos conhece as regras do esporte da mente sabe do que eu estou falando: um eterno defende aqui, ataca ali, espera aqui, avança ali... e o melhor (ou pior, quem sabe) nem sempre tudo termina com um belo xeque mate. Paciência, paciente, aquele que espera, ser passivo ou seria, ser esperto? Aos 20 e poucos anos as peças do quebra-cabeça começam a ficar mais claras, a se encaixar mesmo como em um passe de mágica. Essa história das escolhas, das renúncias, tudo fica mais latente, mais palpável. Não tem mais aquele negócio de botar a culpa nos outros sabe.. porque no final das contas os mais inteligentes (e modéstia parte me incluo nesse pacote depois de dar muitos murros em pontas de faca) percebem que na hora do "vamos ver" é você com e contra você mesmo, tudo ao mesmo tempo. E acho bobeira esse lance de "inimigos". Fala sério gente, quem não tem os seus traumas? Quem não se acha injustiçado? Escutei frases feitas do tipo durante a semana. A primeira dizia algo como perdoe todos os seus "mal" queridos, mas ohhh não esqueça os nomes deles. Já a segunda exclamava: todos temos inimigos, mas cabe a nós não querê-los. Acho tudo isso bobeira. Fico com Shakespeare e o seu veneno: “Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra”. Percebo que os fortes não vão em busca da ilusão de meros elogios ou se desesperam com as críticas aos seus conceitos incompreendidos. Isso sem falar no recalque dos não encaminhados, dos sonhos malucos dia após dia e nas malas vazias, nos 20 minutos de correria antes de perder o vôo tão importante e nas palpitações seguidas de medo. Como é boa a sensação de não buscar compreensão. De uma coisa estou certa: como estavam enganados todos aqueles que tanto me mandaram parar de chorar. Chorar de certa forma é um ato de limpeza, uma espécie de desintoxicação. E dessa forma decidi não perdoar como se esse ou aquela tivesse me maltrado, prejudicado e por aí vai.. resolvi pensar daqui para frente. Ninguém tem culpa de nada, muito menos do mito internalizado do patinho feio. Ninguém joga xadrez de dupla. Isso tudo porque o hoje faz total sentido quando lembro daquela menina magricela, extrovertida e ao mesmo tempo tão insegura que escutava músicas românticas na 105.7 após às 22h para dormir pensando no príncipe encantado que estava por chegar. Tudo isso porque quando lembro daquela criança que criava enredos para as suas bonecas e inventava castigos fictícios porque sua mãe não o fazia hoje finalmente se reconhece no espelho e diz: "Inefável! Sim, eu estou pronta para o que der e vier com você." 

RS. 


PS.: A imagem é do site flyordie.com, é lá que a gente joga xadrez.  :)

Nenhum comentário: