sexta-feira, 1 de julho de 2011


Um guerreiro não se preocupa com seu medo. Em vez disso, pensa nas maravilhas de ver o fluxo da energia. O resto é futilidade. Futilidade sem importância.

O espírito de um guerreiro não está feito para a desistência e as reclamações, nem está feito para ganhar ou perder. O espírito de um guerreiro está feito apenas para a luta, e cada luta é a última batalha do guerreiro sobre a terra. Por isso o resultado importa muito pouco a ele. Em sua última batalha sobre a terra, o guerreiro deixa fluir seu espírito livre e claro. E enquanto enfrenta sua batalha, sabendo que seu intento é impecável, um guerreiro gargalha e gargalha.

Um guerreiro deve cultivar o sentimento de que já possui tudo o que precisa para essa viagem extraordinária que é a sua vida. O que conta, para um guerreiro, é estar vivo. A vida é suficiente e completa em si mesma, e por si mesma se explica. Por isso podemos dizer, sem presunção, que a experiência das experiências é estar vivo.

A morte é o ingrediente indispensável do ter que acreditar. Sem a consciência da morte, tudo é ordinário, trivial. Somente porque a morte o persegue é que o guerreiro tem que acreditar que o mundo é um mistério insondável.  

Ter que acreditar dessa forma é a expressão da predileção mais íntima do guerreiro.




fonte: Don Juan - A Roda do Tempo – Carlos Castaneda

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