terça-feira, 26 de julho de 2011

Sentimentos congelados, criatividade congelada

Sabe aquele dia em que você só tem vontade de ficar lendo o seu livro do momento e organizando as gavetas mentais? 

Acabei de ler esse trecho e corri para compartilhar com vocês:

Quando os escritores, por exemplo, se sentem secos, áridos, sem vida, eles sabem que o jeito para voltar à fertilidade reside em escrever. No entanto, se eles estiverem presos no gelo, não conseguirão escrever. Há pintores que estão ansiosos por pintar, mas dizem a si mesmos, "larga disso. Seus quadros são estranhos e feios." 

Existem muitos artistas que ainda não firmaram sua posição e outros que são veteranos de guerra no desenvolvimento da sua vida criativa, e mesmo assim cada vez que eles pegam da pena, do pincel, das fitas, do roteiro, eles ouvem, "você só causa problemas. Seu trabalho é marginal ou totalmente inaceitável porque você mesmo é marginal e inaceitável."

Portanto, qual é a solução? Aja como patinho. Siga em frente, supere tudo com a luta. Apanhe logo a caneta, comece a escrever e pare de resmungar. Escreva. Pegue o pincel e, para variar, seja má consigo mesma: pinte. Bailarina, vista sua malha, amarre fitas no cabelo, na cintura ou nos tornozelos e diga ao corpo que se mexa. Dance. Atriz, dramaturga, poeta, musicista ou qualquer outra. 

Em geral, pare de falar. Não pronuncie mais uma palavra sequer, a não ser que você seja cantora. Tranque-se num quarto com teto ou numa clareira sob os céus. Exerça sua arte. Sabe-se que o que está em movimento não se congela. Por isso, mexa-se. Vá em frente.



Livro: Mulheres que correm com os lobos. Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. 
Autora: Clarissa Pinkola Estés

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