segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tendências e Contratendências

5 minutinhos para refletir através de Edgar Morin? Sobre a mulher e o homem contemporâneos (pós séc. XX), seus inconscientes, medos e manifestações de comportamentos.



"O homem consumidor não é apenas o homem que consome cada vez mais. É o indivíduo que se desinteressa do investimento... A cultura de massas nos introduz a uma relação desenraizada, móvel, errante com relação ao tempo e ao espaço...

As fendas já aparecem. Por um lado, uma vida menos escrava das necessidades materiais e dos acasos naturais, por outro lado uma vida que se torna escrava de futilidades. De uma parte uma vida melhor, de outra, uma insatisfação latente.

De uma parte um trabalho menos penoso, de outra, um trabalho desprovido de interesse.

De uma parte uma família menos opressiva, de outra, uma solidão mais opressiva.

De uma parte uma sociedade protetora e um Estado assistencial, de outra, a morte sempre irredutível e mais absurda que nunca.

De uma parte, o aumento das relações de pessoa a pessoa, de outra, a instabilidade destas relações.

De uma parte o amor livre, de outra a precariedade dos amores.

De uma parte a emancipação da mulher, de outra, as novas neuroses da mulher.. Estas fendas se aprofundarão em brechas? Até que limites será desejada, e em seguida suportada, uma existência de tal forma devotada ao atual e ao superficial, à mitologia da felicidade e à filosofia da segurança, à vida em estufa mas sem raízes, ao grande divertimento e ao gozo parcelado??

Até onde a realização do individualismo moderno se operará em desagregação?"

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Em: Cultura de massas no século XX: necrose. (Morin, Edgar) 3ed. – Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.

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O meu boa noite direto de 1968:

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