sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cobertura #DFB2011: O 3o dia





Hoje o Ivo me pergunta: "O que é o Dragão para você?" Não hesitei na resposta pois ontem mesmo durante a espera básica para começar o 1o desfile da noite, comecei a me indagar e cheguei em conclusões tão importantes que hoje até preferi fazer diferente: ficar aqui no silêncio, conforto e na solidão gostosa da minha casa a fim de ressignifar tanto ruídos e boas ideias que observei ao longo dos dias.

Não tem como: me sinto muito mais viva quando estou no backstage, criando ou produzindo, mas gerando observação, comunicação e não sendo observada. O Dragão é tão importante para mim pois é uma oportunidade única de entrar em contato: com profissionais com anos de estrada, com colegas da faculdade que não encontramos no dia a dia, com os amigos blogueiros, palestras e oficinas bacanas.. e o principal, questionar o que se está sendo discutido, apresentado. O Dragão para mim deveria ser evento de moda, cada vez mais autoral como tanto defende, e não evento social.

O Dragão para mim não é festa, fofoca ou diversão, mesmo sendo indiretamente, ou querendo ou não. O Drgão para mim não é saber qual é o melhor blog, já que nem existe critério real para se medir isso. O Dragão para mim não é saber a marca que fulana ou sicrana está vestindo hoje. Aliás, não vou ficar fazendo propaganda nem das marcas que eu mesma visto. Primeiro porque não acho bacana "ser imitada" e sim gerar inspiração para algo. Segundo porque não tenho intenção de ganhar dinheiro com o blog (fazendo merchans ou looks do dia). E o mais importante: quero que aqui seja uma plataforma de ideias, debates; um espaço precioso para divulgar o meu trabalho e o seu, seja ele visual ou codificado em palavras.

Entenda que respeito e até gosto que existam todos os tipos de blogs e pessoas e eventos e por aí vai. Sou uma amante da diversidade: pois como já disse 33 milhões de vezes, é nas diferenças que nos reconhecemos. Sem o salgado, o doce não existe. E muito menos o meio termo.

Sou a favor da união, da educação e do bom senso. Ontem não vi muito disso pelos corredores do Centro de Convenções. O que todas aquelas pessoas buscavam? Exemplo, aprovação, confiança, poder? Ontem fiquei de fora só observando a linguagem corporal tanto dos que trabalhavam em prol do evento como as do que se aventuravam por uma nobre cadeira na primeira fila da sala de Barro. Gente? Um casal de irmãos ou de amantes? Pessoas curtindo, pessoas amando, pessoas querendo ser chatas. Pessoas com raiva. Pueril. Talento ou cópia? Onde estava Laís Pearson? Onde estava a nata da nata? Vontade de ser visto? Mostrar ou ser mostrado? O que você prefere?


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1) MATIAS - INSUSTENTÁVEL

O desfile do Matias foi o meu preferido até agora. Lendo o Release e entendendo a inspiração do estilista, começo a entender o porquê fiquei tão emocionada durante o desfile. Foi uma apresentação linda, a trilha impecável com direito ao poema musicado mais pesado (no bom sentido!) de Álvaro de Campos.



Não bastasse a inspiração do livro de Milan Kundera (A insustentável leveza do ser), Matias ainda buscou referências na filosofia do eterno retorno de Nietzsche e no confronto individual entre o que se é, o que se acredita ser, o que se quer ser. A ausência do outro, a morte enquanto a ausência da vida.

Imagina! Eu amei e para ser sincera, quase que choro.

As formas futuristas e precisas dos anos 1960 traduzidas em tubinhos e no comprimento das peças ficaram ainda mais modernas e contemporâneas aliadas aos materiais utilizados como seda, tule, algodão, linho, os detalhes em couro e pelicas em branco, preto, nude, vermelho.



Jeans mais clarinho, modelagem casulo, volumes laterias, assimetrias, botões bacanas, sapatinhos super lindos ("todos foram confeccionados especialmente para a coleção", disse a colega de ufc e produtora do desfile Maarji), recortes interessantes e as tiras de couro. Nossa, como eu adoro as tiras de couro. Lembro que era febre em 2002, 2003, como eu me sentia bem com aquele cintão cheio de penduricalhos.



Nem me atrevi a tirar aquelas fotos artísticas (leia-se: "tremidas e sem qualidade" :p), e peguei todos os looks que curti do site Dfhouse. Também me recuso a fazer montagens, quero todos em tamanho GG.


Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.


Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,



Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes! Adia-te, presente absoluto! Mais vale não ser que ser assim.



Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala, E que os desertos são grandes e tudo é deserto, E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.



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Me diz você.. o que é o Dragão?

Um comentário:

Júlia Vieira disse...

Tbm adorei a companhia durante os desfiles!!
E ta bem legal a cobertura aqui do blog viu?!
Parabéns ;)

O blog q eu disse q tem o perfil parecido com o seu é da Helô Gomes o Sanduiche de Algodão!
http://www.sanduichedealgodao.com.br/

Beijo!