sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A estética e a moda japonesa

Há muito tempo que venho buscando conhecer mais a fundo a estética explorada pelos estilistas japoneses. Estética essa misteriosa, vanguardista e acima de tudo, curiosa. Estética exótica e trabalhada por efeitos tridimensionais, muitas vezes se utilizando de materias inovadores e formas soltas.



(Kenzo)


Nos trajes japoneses, é fundamental a ampliação do tecido. Como os quimonos, traje tradicional japonês, que não marcam ou revelam as formas do corpo por completo.



(Rei Kawakubo)

Ocultar o corpo, procurando um espaço ao seu redor. Contestar a distância ou igualdade entre os sexos. Priorizar materiais inusitados ou formas estranhas. Tecido e corpo deixam de brigar entre si. Esses são aspectos recorrentes quando observamos e comparamos as propostas para o vestuário da maioria dos estilistas orientais.



(Issey Miyake)

Assim sendo, resolvi fazer um ESPECIAL dos 4 estilistas japoneses que mais obtiveram sucesso com as suas criações no circuito da moda mundial.



(Yohji Yamamoto)

Batam palmas para àqueles que libertaram a moda da funcionalidade de fazer todas as peças da mesma maneira!




Kenzo, o mais "ocidental" dos estilistas japoneses, abriu a sua primeira loja na capital francesa em 1970. As suas roupas coloridas e ao mesmo tempo, com detalhes inusitados, refletiram muito bem o imaginário da década dos hippies. Com um vestuário alegre, mas super elegante, Kenzo foi o primeiro estilista japonês a invadir a moda européia.




O sucesso foi grande já que Kenzo sabe misturar como uma mágica influências tradicionais, étnicas e folclóricas de várias culturas ao mesmo tempo. Os padrões florais grandes e os tecidos finos são a cara da marca Kenzo.





A verdade é que não demorou muito para o resto da turminha (hoje, um grande grupo) chegar e causar geral na moda tradicional de Paris.




Rei Kawakubo, a estilista criadora da marca "Comme des Garçons" exibiu pela primeira vez o seu talento ao mundo (com um desfile em Paris) no ano de 1981. Com um vestuário de aparência "estranha", de aspecto desgastado e silhueta desconexa, Rei deixou todos os fashionistas intrigados.

A Comme des garçons é conhecida por desconstruir a imagem da roupa. Logo na sua primeira coleção exibida em Paris, Rei Kawakubo deixou claro que jogaria com a brincadeira e criação de formas amorfas + cores monocromáticas. Mesmo sendo o alvo constante de críticos da moda, a estilista japonesa alimenta o nosso desejo pelo novo e faz a roda girar com um punhado de contestação. Podemos chamar a sua estética de escultural, espacial, pois sempre as concebe como uma verdadeira obra arquitetônica, mesmo que para isso, deixa uma costura aparente aqui ou um acabamento mal feito ali.









As suas coleções são ricas em texturas complexas, a sua linha é minimalista, com ênfase forte nos cortes assimétricos e cores monocromáticas. Ocidente e Oriente se confudem nas suas criações que costumam ser poéticas por desafiarem o tempo e a época em que são elaboradas.





Yohji Yamamoto apoia toda a sua criação nas brincadeiras com o corpo humano. A sua ênfase é no tecido, explorado através de formas simples e eficazes. De estética tranquila e roupas volumosas, Yohji demonstra ter uma profunda sensibilidade humana.









Issey Miyake é considerado o artista da moda no Japão e no mundo. Seus looks são construídos através de formas geométricas e esculturais. O seu trabalho com tecidos inovadores e técnicas artesanais é aguardado a cada temporada. Seu foco é nas fibras e nas brincadeiras de plissados, drapeados, dobraduras e afins: qualquer semelhança com a técnica japonesa dos origamis não é mera coincidência.









Issey possui uma força de expressão fora do comum e busca através de sua moda ressaltar os questionamentos contemporâneos.

O mais interessante é que ele não deixa claro a função exata de muitass peças de roupa que cria, dando espaço para a subjetividade e incluindo o seu consumidor no processo de criação.

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Construções abstratas, fora de convenções, modismos, apego ao tempo ou aos fatos cotidianos. Tradição, naturalidade.

Esse é o Japão.

Imagens: Reprodução

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