quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ela

sendo difusa a sexualidade feminina, apreciamos a cada tempo a exposição de alguma parte do corpo, parte esta eleita denunciando a erotização demandada da estação. O corpo feminino passa a ser uma tela de projeção da história de uma civilização.

(COELHO, 1996, p. 57)




A moda auxilia o Sujeito na realização de suas manipulações a fim de satisfazer as expectativas de realização do seu Eu Ideal. O olhar do outro acaba por dar sentido a nossa existência, fato esse que acaba por provocar uma alienação da mulher que sempre busca corresponder aos ideais difundidos pela última moda. É fato que não é um tecido que está na moda, e sim um tipo de mulher.

Se adequando aos padrões exigidos pela moda, o Sujeito acredita estar sendo aceito pelo Outro, tal fantasia remete ao olhar perdido na infância, fonte de nascimento do desejo, auxiliando assim na manutenção de nosso narcisismo. E mais ainda,

Vejo a relação sedução – moda feminina, como uma tentativa de aumento de auto-estima para a mulher: como um retorno narcísico – confirmação de imagem e de reforço. O ato de se olhar no espelho, de se apreciar como também o de se mostrar vestida de forma nova a cada estação, seria uma demanda tendo como resposta o especular olhar do outro como desejo. (COELHO, 1996, p. 51)



Chego na conclusão de que se tornar mulher é bem mais penoso do que se tornar homem segundo a teoria psicanalítica. A mesma feminilidade, retratada como uma saída e uma resposta para o desenvolvimento sexual e psíquico feminino, carrega consigo paradoxos e incoerências quando pensamos no contexto cultural e social a que as idéias da psicanálise foram criadas. Sem tantas possibilidades identificatórias, menos pela falta motivos biologicos e mais pela falta do chamado “falo da fala”, acredito eu, o lugar do ser feminino acabou por ser moldado e construído pelos discursos de homens que não possuem a sensibilidade ou o domínio da experiência a fim de categorizar acerca do desejo ou das saídas femininas.

Será mesmo que o inacabado e frágil superego feminino, resultado, segunda a psicanálise, do processo mal resolvido da castração e da falta do falo feminino é o resultado de uma falta biológica ou social e cultural? Assim sendo, cabe as mulheres a luta diária pela posse e conhecimento de seus desejos a fim de se tornar sujeito de sua existência.


A moda, analisada pelo viés psicanalítico, surge como uma verdadeiro meio de se tornar mulher no contexto contemporâneo, já que através de uma posição tanto materna quanto paterna, oferece á mulher estilos a que ela imitar, regras a que ela tenha de seguir e uma autoridade refletida em padrões estéticos a que ela deva seguir: cuida, protege e veste a filha prazerosamente, sendo assim uma forma de estruturar seu ego, num jogo de sedução onde será sempre matida ativa a esperança (COELHO). Assim, a moda se constiui num meio ativo de se fazer mulher, pois se fundamenta em escolhas e rejeições que auxiliam na estabilização da identificação feminina. Por fim, se o falo do homem se resume a um órgão, o falo da mulher não seria ela mesma?







Se não estou maluca, estou perto de ficar. Alô férias, cadê você?

Um comentário:

Déborah Simões disse...

Cunhada, tem selinho para você no meu blog. Clica no link GOSTOSA LEITURA.
Bjok