terça-feira, 4 de maio de 2010

Moda: a psicologia do vestir



Começo minha reflexão com a citação curiosa de Virgílio Ferreira:

"A moda é uma variante oblíqua de se lutar contra a morte. Ora na velhice tal luta é mais problemática. E é por isso que no velho a moda é mais rídicula."

Não podemos mais negar o fato de a moda ser um dos tipos de comunicação não-verbal mais fortes e decisivos da atualidade. A sua representação e materialização nada mais é do que o espelho da sociedade.



A Moda não é e espero que nunca seja objeto de futilidade para aqueles que a criam, a ditam e a escolhem como estilo de vida e expressão. O objeto Moda aponta identidades (hoje flutuantes), escancara quem somos. E é por isso que o "vestir" é uma verdadeira tomada de consciência.



Mas quais são os verdadeiros valores da moda? Qual a legitimidade do seu poder? O fenômeno da moda baseia-se na novidade, no consumo e na constante ritualidade e estetização do cotidiano. Fenômeno de massas e muitas vezes mal interpretado por elas, o vestuário antes de tudo, representa o micro e o macro, o ser e o mundo.



No domínio do social, emerge uma moda. No domínio do individual, o homem submete-se à moda. Vale ressaltar ainda que a moda possui a razão e o tempo como exemplos e justificativa de sua grande euforia.



"A sociedade, seja de que forma se constituir, ao constituir-se, "fala". Fala porque se constitui e costitui-se porque começa a falar." Assim, Umberto Eco conclui que o vestir é uma escolha e a moda é uma opção.



Decoração, pudor e proteção. Acredito, assim como Renato Sigurtá, que essas sejam as mais profundas motivações para o homem investir a sua energia tão preciosa na moda. As diferenças entre os sexos também são alvos fortes de fertilização.



É claro que para a mulher o vestuário sempre foi usado como forma de exibicionismo, enquanto que para o homem, seus trajes sempre foram acima de tudo elementos simbólicos que comprovem e ressaltem a sua masculinidade. Hoje não mais!



Também são destacados aspectos relevantes da moda jovem: bem-estar, diferença/recusa, revolta, aspectos culturais. Enfim, a "moda será sempre um modo de viver digno de consideração". Acredito que o vestuário seja uma forma poderosa de estilizarmos o nosso próprio corpo, afirmando assim, que somos donos daquilo que possuímos por direito. Uma verdadeira ajuda no processo de identificação e auto-afirmação!

Outro questionamento: Existirá um consumo ideológico?

Porque na base da moda está o grande impulso ambivalente: o desejo individual da diferença e a procura da adaptação às regras do grupo social. É aí que entra o papel da publicidade, quem vem dar ao indivíduo a ilusão da plena liberdade de opção, ilusão de criar a sua própria moda.

Logo, se a moda se impõe, sobretudo, graças ao seu papel social e psicológico, é claro que a publicidade vai explorar o "dizer" e o "fazer" do vestir. O consumo é a verdadeira ideologia do vestir da contemporaneidade!

Falamos de reflexo da personalidade humana ou de imagem artificial? A triste verdade é que o vestir ainda comunica, mas deixou de ter o significado que sempre teve desde que o homem é homem. O mais importante a se compreender é que a moda não é um fenômeno frívolo. Não mesmo!

Domina o social, o cultural, o profissional, o político e hoje, principalmente o econômico. Afinal, é nela que começa a identidade do homem, seja ela artificial ou natural. Imitação, imaginação ou realidade.

Porque a moda é isso mesmo: uma realidade, ainda que inventada, ainda que não sentida, ainda seja falsa e até pouco real. Na roupa está estampada a personalidade (ou pelo menos deveria estar..), as ideologias, o comportamento.. enfim, a vida das pessoas. O estilo nada mais é do que a organização dos pensamentos!



Acredito que a ligação entre conusmo e moda deve ser piamente revista. Observo que a lógica do comércio frenético acaba ofuscando tudo aquilo que é próprio da moda: inovação, criatividade e liberdade.

E afinal o que é a psicologia do vestir? Para mim ela é um fenômeno psico-social, capaz de originar diversos processos de comunicação inconsciente. É a vontade de ser diferente e, ao mesmo tempo, igual. É assumir uma vida social e individual de acordo com suas próprias crenças e pertences. É ser rebelde diante de nós mesmos e talvez para com os outros.

E hoje, infelizmente, acredito que parte dessa definição esteja sendo perdida pela lógica repetitiva da propaganda, da economida de mercado dominante. É claro que a moda deve ser vista de acordo com essa ótica pseudo publicitária, porém, todo esse forte sistema ameaça transformar a moda em uma massa compacta, homogênea, a cultural, repetição do mesmo.






Por isso, acredito que só se pode contruir uma modernidade de visão se eliminarmos a racionalização do olhar, a censura interna e, obviamente, se recuperarmos antigas convenções e convicções. Só assim, quem sabe, poderemos dar á moda aquilo que lhe pertence: a arte de representar o mundo e de representar também a si mesma.

Pensadores de Moda: é nosso papel não deixar que a sociedade consumista aniquile da moda a sua verdadeira essência.



Qual a posição da moda no inconsciente feminino?



Aguarde e participe (assim você me ajuda a construir a tão assustadora monografia!)

Beijos, fui!

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