quarta-feira, 19 de maio de 2010

Diário da Psicanálise - Dia 2 e 3


Estou viajando com um livro muito especial: A Mulher e o Desejo de Polly Young - Eisendrath! Eu mais do que recomendo para as minhas leitoras hiper cabeças e desejadas. A linguagem é fácil e de cara nos identificamos com todas as situações e conflitos.

Além de me ajudar com referências para o meu projeto de pesquisa (e monografia) está mexendo com a minha cabecinha e deixando ela cheia de idéias malignas e ameaçadoras. Estão querendo até confiscar meu livro, acreditam? O Ivo morre de ciúmes do blog, do twitter e agora até dos meus livros.. Pode? Ele acha que fico ainda mais marrenta com as minhas leituras feministas.. ahh, vai ter que aguentar!

Decidi que quero estudar isso a vida toda.. desvendar tabus e mitos acerca do "sexo frágil" será minha meta daqui pra frente. Estudar a moda através do viés psicanalítico faz todo sentido para mim. É como se todas as peças do quebra-cabeças encaixasse perfeitamente.

Posso sonhar? Ainda quero escrever muitos livros com as indagações e idéias que tenho!

Vou compartilhar com vocês algumas reflexões bem pertinentes:

"As mulheres não dão o seu amor para os homens que as amam e sim para os homens que as desejam"

De cara me vejo lendo essa frase de Lacan repetidamente.. Será mesmo que não queremos ser amadas? É mais importante nos sentirmos desejadas do que compreendidas pelo que na real somos? O que vocês acham?

Vamos pensar sobre o desejo..


“O desejo humano tem duas faces contrastantes. A face mais perversa do desejo se revela como ânsia, impulsividade, vício e jogos de poder. Sua face mais positiva mostra-se através da auto-determinação e da responsabilidade. Nós, mulheres, aprendemos a ocultar a face mais perversa, até de nós mesmas. Como freqüentemente ignoramos ou negamos nossos desejos mais vis, também temos dificuldade em direcionar as nossas vidas assumindo a responsabilidade pelas nossas necessidades e motivações.” (YOUNG-EISENDRATH, Polly)

Essa citação resume bem o desenvolvimento feminino. Observo a grande dificuldade que a mulher tem de realizar e assumir as possibilidades de suas próprias escolhas e decisões ao longo da vida.

Para mim, o limite entre ser e parecer é tênue. Pulsar e achar o que quero por detrás das profundezas de nossos instintos (positivos e destrutivos) é o que é. Eis o mistério da travessia do fantasma. (Falaremos sobre isso depois..)

Lembram do questionamento: “o que é que você quer?”

Por que respondê-lo com certeza é tão difícil para o ego feminino? Será que realmente somos tão necessitadas assim das influências e expectativas externas? Preenchemos fora o nosso vazio?

Vale ressaltar o papel das mulheres nas sociedades primitivas, tão bem explicado por Gilberto Freyre. Lá, homem e mulher se complementam, são partes da mesma moeda. Freyre afirma que quanto mais evoluída a sociedade, mais acentuada é a diferenciação e a distância entre os sexos.

Essa realidade me faz pensar: Será que estamos tendo problemas com o tamanho e o peso da liberdade que conquistamos, a duras penas, por gerações de mulheres que “sacrificaram” as suas próprias imagens sociais em prol do futuro da tão sonhada soberania feminina?!

Enfim, será que a mulher contemporânea quer saber realmente o que de fato deseja? Ou será que o próprio “ser” é por demais ameaçador e inalcançável?

Como querer a compreensão alheia se, sozinhas no porão, não temos coragem de botar para fora o poder das feras que sussurram em nosso íntimo?

Sei que estou bombardeando vocês com perguntas e mais perguntas..

Mas o meu papel e destino é justamente esse: perceber o que não é dito, não é escrito, o que é inconsciente.

“A compulsão de ser desejada e desejável corrói o autocontrole, a autoconfiança e a autodeterminação das mulheres da adolescência à velhice, em todos os nossos papéis, de filha a mãe, de amante a esposa, de estudante a trabalhadora ou líder, seja esta angústia consciente ou não.” (YOUNG-EISENDRATH, Polly)

É claro que muitas vezes temos medo ao externar nossas emoções e pontos de vista. Socialmente falando (principalmente pelos olhos deles), sempre somos rotuladas de alguma maneira. Se sou forte, capaz e inventiva sou uma megera. Se tenho beleza, graça e generosidade sou uma musa. Somos levadas a acreditar que o poder está no outro, nas imagens oferecidas, fora, e não dentro de nós. Querendo ser desejáveis aos olhos dos outros, ignoramos os nossos próprios desejos.

Vem daí a sensação de frustração e falta de controle do próprio tempo a nosso favor. Devemos saber encarar a rejeição.

Sou capaz de ferir seus sentimentos mostrando os meus. A roda viva nos dá desafios como esse a todo instante.

A sensação de liberdade vem através da coragem de enfrentar os outros a fim de salvar a sua própria determinação enquanto sujeito. É isso, sejamos sujeitos e não objetos!

Continua..

Beijos e até os próximos capítulos!

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