terça-feira, 20 de abril de 2010

Dois tragos de uma vez só



(Da janela do quarto)

Tô cansada de frases feitas
e mentes mal trabalhadas

Tô cansada das receitas
e da interpretação




Julgar, todo mundo julga. É inevitável. Ao olhar, ao nem querer julgar, já o fazemos. E por quê ter receio disso?

Impor é diferente. "Isso é", é diferente de "Eu acho isso".. todos deviam ter aprendido isso quando criança!

Aliás, devíamos ser como as crianças e os cachorros; olhar manso e desconfiado, sentidos apurados e sem nenhum receio de ir para o outro lado ou mexer em uma tomada desconhecida, mesmo que com isso, levemos um choquinho bobo.

Tô falando de arriscar, botar a mão na massa, assumir a responsabilidade da própria vida. Se implicar na situação, pensar primeiro em si e não nos outros.

Se viver é se equilibrar entre si e os outros, escolho então viver na corda bamba: concentração firme para ouvir a voz e a força que vem de dentro.

A cada dia que passa sinto mais falta da disciplina de vivenciar um esporte. Que saudade do meus tempos de basquete. Eu gosto da competição, da disputa, de correr pela quadra sem fôlego com sangue no olho.

Que saudades da minha seleção do FB. Saudades da garra da Mayara, dos gritos da minha querida treinadora Teresa, da torcida na arquibancada e até dos empurrões das grandalhonas do Santa Cecília.

Vida cruel e louca essa de adulto. Correr (no trânsito), ouvir, fazer, resolver, prover, manter........ Quantos verbos!

Entendam, eu sou apaixonada pela minha vida, pela minha liberdade... mas ainda não consigo compreender essa lógica de valores exaltados. Ou pelo menos, acho apenas que estamos no caminho errado.

Somos ricos nos recursos e pobres na imaginação!

Resumindo: antropofagia em vez de prostituição de idéias.

Dormir é preciso! Fui.

Um comentário:

Déborah Simões disse...

texto fantástico! adoro quando você escreve sobre esse tipo de coisa, cunhada...