sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O ato e a coragem de Escrever





Raramente fico sem vontade ou sem conseguir escrever..
Normalmente tudo ao meu redor me inspira
Constantemente palavras, frases e rostos estranhos costumam rondar a minha mente
a melhor maneira que sempre encontrei para extravasar ou talvez não enlouquecer
diante de tantos pensamentos acelerados foi escrevendo..



Seja poemas, frases sem sentido ou palavras jogadas em meio ao nada..
Rabiscos, linhas, objetos, traços, fragmentos de momentos que ficaram perdidos porém para sempre registrados..

Comecei a escrever muito cedo e muito rápido.. aprendi sozinha e não parei mais..
Escrevia (ou rabiscava) as paredes do meu quarto quando criança até aprender de uma vez por todas que aquilo era proibido..
Depois passei a riscar as bonecas barbie da minha irmã.. sem dó nem piedade!

Quando passei a ter juízo (ou pelo menos um pouco..) passei a ter os meus diários anuais.. cada agenda tinha um nome.. (porém durante 5 anos sempre chamei de "minha", as vezes "querida minha", "cara minha"..)
eu sei, patético!
acredite, hoje em dia não chamo mais de nada não.. apenas vou lá e lanço minhas 7 ou 8 frases diárias sem a tamanha fantasia de outrora..

Ah, essa fantasia! Quanto não já me custou..



De cartas a poemas, de redações a bilhetes, de ofensas a declarações.. até esse querido blogo.. escrever sempre foi a minha melhor maneira de dizer o que penso e sinto!

Ah, os diários! Quanto já não me prejudicou..

Nem imagino o quanto de intrusos ou intrusas (sem noção e respeito) já não leram escondido..

E que ironia do destino, hoje escrevo para quem quiser ler.. hoje escrevo e nem sei quem lê.. e é desse mistério que tanto gosto!

Já nem me supreendo com as coincidências e consequências dessa vida maluca.. para mim é literalmente um livro com direito a vilões, mocinhos e mocinhas.

Como disse, os meus 22 anos já não me permitem a fantasia de outrora.. infelizmente, somos obrigados e tolhidos pelos acontecimentos lançados pela roda viva. Vejo que uma hora ou outra parece que temos que optar por vestir uma armadura, "calçar as luvas" e temos de estar preparados para a luta!

Estamos entrando em uma nova década.. vale a pena refletir sobre afeto, relações, verdade e realidade. Vale a pena refletir sobre humanidade, espaço, aproximação e respeito.

Vale a pena viver pela paz!

(Sempre quando começo a escrever não sei aonde vai dar.. não costumo ler o que escrevo, pois dá vontade de apagar.. comecei escrevendo para dizer que quando me sinto assim totalmente dentro do meu mundo, não consigo externar nem escrever sobre qualquer outra coisa.. mas mais uma vez, ao chegar ao final de mais um texto, percebo e sinto forte o porquê dessa paixão, dessa mania de escrever: simplesmente é assim que consigo superar os meus medos, as minhas decepções.. é assim que me sinto viva.. é assim que consigo seguir em frente..



e é assim que me sinto útil, objetiva e produtiva: ou seja, é assim que estou servindo ao sistema e aos ideais capitalistas a que estamos submetidos!

Não que eu seja contra.. apenas não consigo me ver vivendo ou fazendo algo apenas por dinheiro. E não gosto de me sentir pressionada a isso.. não gosto de me sentir de fora por isso! Sou defensora ferrenha da arte, da liberdade e acredito custe o que custar que

o tiver de ser seu, será!


E para finalizar, deixo vocês com José Saramago, escritor, poeta, inspirador do post de hoje e mais um mestre:




"É necessário sair da ilha para ver a ilha, que não vemos se não saímos de nós.."

- O conto da ilha desconhecida

"Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)"

— Saramago, A Jangada de Pedra, 1986

José Saramago

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