quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Direto do Paquistão




Se eu as vezes acho que nasci em um país que não prioriza ou incentiva a verdadeira arte, imagina então o que deve sentir os que nasceram no Paquistão?



E foi pensando nisso que conclui que arte é um estado de espiríto.. daí vem a seguinte questão: mesmo sendo algo que depende em questão apenas de mim, como me isentar das questões externas? Como não deixar que as guerras, a violência moral, a poluição sonora e visual a que estamos expostos não me impregnar de ansiedade, raiva ou até desespero?



No final das contas, a vida sempre é do jeito que você a vê. Os significados são múltiplos, você os dá, você os representa, os escolhe. E pra nascer arte, seja aonde for, é necessário em primeiro lugar CORAGEM. Coragem para romper padrões, coragem para lutar pelo que você acredita, coragem para se REINVENTAR sempre. E em segundo lugar, mas não menos importante: é preciso sensibilidade. Tem que saber SENTIR, não apenas ver ou observar, mas SENTIR.




A moda é fascinante pois é como uma linguagem universal, uma manifestação cultural e social que está em todo lugar desse mundo.. Usar a moda para transgredir, revelar um momento, expor uma característica antropológica de onde você habita é fantástico!



Ser estilista para mim é estar atento aos sinais literalmente do além. Não é facil, não é para qualquer um.. Temos o dever de sentir as mudanças, o passado, o presente e até prever o futuro! Pensando bem, somos até um pouco bruxos, videntes.



Hoje pesquisando achei essas fotos maravilhosas! Elas são simplesmente da I semana de moda que aconteceu no Paquistão na semana passada. A iniciativa ousada foi idealizada pela corajosa CEO Ayesha Tammy Haq com o objetivo de gerar empregos, incentivar o setor de moda no país e principalmente, desafiar o Taleban, o violento movimento extremista nacionalista. (Vale ressaltar que os talebãs mataram recentemente mais de 300 pessoas.... e sabemos que isso chega a ser pouco pra eles!)



Adiada duas vezes por questão de segurança, a semana de moda aconteceu em Carachi (a maior cidade do Paquistão) em um hotel 5 estrelas!

30 estilistas locais apresentaram suas coleções que fugiam totalmente dos tradicionais e rígidos trajes paquistaneses. Observamos brilho, paetês, cores fortes e tons terrosos, texturas complexas, aplicações diferenciadas, decotes, tendências internacionais de moda na modelagem.. e o principal: corpos descobertos, algo bem diferente da realidade cotidiana das mulheres paquistanesas.




Mas não pense que é só o taleban que não deve ter gostado da brilhante iniciativa, até mesmo os modelos, todos paquistaneses, acharam estranho e criticaram o evento em geral por conta de tanta exposição do corpo já que os desfiles não representam , de fato, o que eles são.

“Isso não representa o que nós somos. Somente 0,001% das mulheres paquistanesas usariam essas roupas - e mesmo assim só em lugares fechados e quando estivessem bêbadas”, disse a estilista Ayesha Tahir Masood.






Apesar de o clima não ser nada ameno pois os compradores e designers internacionais não foram nem convidados por motivos de segurança, a semana de moda em Carachi:

foi uma vitória para o Paquistão, para as mulheres e principalmente para a moda, que não apenas faz parte ou representa uma época ou sociedade, mas SIM dita e muda o curso da história.

É como diz Lipovetsky, "no filme acelerado da história moderna, dentre todos os roteiros, o da Moda é o menos pior".

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