quarta-feira, 15 de abril de 2009

Corpo e Moda


























































Nosso corpo "é" a nossa base, nossa casca, nosso sistema constante organizado e estruturado bombardeando signos a todo instante. É ou pelo menos deveria ser o primeiro veículo de comunicação e expressão utilizado pelo ser humano para a produção, reflexão e análise do conhecimento.

Ora assume a função de objeto representado,
Ora de signo em processo de representação.



Daí veio o fugaz mundo contemporâneo... acrescentando várias atividades ao corpo – hoje em dia "o corpo" é mostrado em diferentes aspectos pelos meios de comunicação.
Virou objeto de discussão em diversos programas com finalidades distintas: estéticas, saúde corporal, no meio artístico, e na moda é a base para emissão de mensagens de “moda”.













O corpo perfeito para desfilar a roupa foi criado e ele tem dmensões específicas e padrões que devem ser seguidos.
É a lei do estilo.


"moda" x “padrão”
uma dinâmica constante. onde se cria e se abole constantemente comportamentos vigentes previamente pensados;;;;
Há de se considerar, portanto, dois aspectos quando tratamos da questão da moda:

a moda do corpo e a moda para o corpo.

A utilização do corpo em sistema de signos, como linguagem, implica necessariamente um posicionamento ideológico.

Moda é linguagem, é um sistema composto de signos que indica uma forma de expressão, quer e diz algo.
Ao selecionar cores, tecidos e adereços, uma combinatória é executada, um discurso é construído, que é, ao mesmo tempo, um discurso moral, ético e estético. Além disso, está inserido em um contexto social, político e econômico.
Significa algo tanto a nível ideológico quanto artístico.
Um comportamento é expressado através da linguagem moda. A adesão a uma determinada tribo e, consequentemente, sua oposição a outras. Sua combinatória é uma atitude, um comportamento que altera e estabelece dinâmicas no encontro ou na oposição das demais combinatórias.
Os signos criam padrões, automatizando o discurso, o texto.
A sociedade de consumo é caracterizada pelo excesso de padronização e pelo uso banalizado da informação.
Onde uma postura cada vez mais radical do individuo é exigida para que ele possa expressar de forma original a sua individualidade.
Aparece o estilista, não com função de criar padrões, mas, com a tarefa de artista que, por suas combinatórias, cria o original.
A sociedade contemporânea, num mundo cada vez mais globalizado, coloca o homem diante de uma surpreendente reflexão: como será possível encontrar a possibilidade da expressão original, própria, individual no mundo globalizado da sociedade de consumo?

















Com o advento dos veículos de comunicação de massa, o corpo deixou de ser o principal meio de comunicação.
A quantidade passou a gerar a importância sobre a mensagem emitida e a questão da informação começou a tomar grande importância.
Um sistema de signos facilitadores é criado para criar padrões.



Todos parecem entrar, no período da comunicação de massa, num processo de padronização, de modelização, o que do ponto de vista social e político, portanto ideológico, traz conseqüências por vezes danosas ao processo de criação.













Existe um tipo de experiência vital – experiência de tempo e espaço, de si mesmo e dos outros, das possibilidades e perigos da vida – que é compartilhada por homens e mulheres em todo o mundo hoje. Designarei esse conjunto de experiências como “modernidades”. Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor – mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia. Ser moderno é fazer parte de um universo no qual, como disse Marx, “tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Marshall Berman (1986) Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade.




quantidade X velocidade.

O saber de mídia é efêmero, banal, busca simplesmente acabar com as diferenças.
Possuímos então um saber de massa, frágil, cada vez menos assimilado em profundidade.

A sociedade contemporânea sabe mais em quantidade e menos em qualidade, o que lhe proporciona uma angústia de pertencer a uma organização desfronteirizada de mundo, desde os aspectos As modificações ocorrem quase instantaneamente, provocando uma angústia de que, ao mesmo tempo que fazemos parte de um mundo globalizado, estamos sozinhos nesse percurso, e, quanto mais sabemos, menos compreendemos os processos de representação.


Penso que é isso.. vemos tudo ao redor de uma tela; ao mesmo tempo que parecemos estar alí, tão pertos.. tão ativos... ah que ilusão, na verdade nunca estivemos tão longes uns dos outros...

Há uma intensa criação de padrões de comportamento; a informação, a mensagem já é banalizada por si só.


O foco no presente, cultura fast food, que faz de tudo para descomplicar. Uma cultura de consumo voltada para a recreação do espírito.





A era da imitação dos ídolos de novela.

Vivemos nessa era de imitações impossíveis de serem atingidas.. Era dos excessos. Viva a nossa sociedade de consumo!!! É o que proclama tanta propaganda.. É trágico; mas até o nosso querido corpo virou uma mercadoria, desprovida de identidade, de consciência...







O uso do poder dos veículos de comunicação de massa atua no sentido de educar o povo ao criar uma moda que privilegia o divertimento, o efêmero, a informação banalizada, a baixa taxa de informação e a imensa quantidade em detrimento da informação criativa, original, que rompe tabus, provoca o sentimento de mudança.






Os modos e as modas criadas ultrapassa o geográfico, passando pelo ideológico e atingindo o artístico e cultural, mas que lhe tira a possibilidade do diferente, de “aparecer” como indivíduo na multidão pela característica da dessemelhança, da criação.



A moda, ao criar padrão, nivela e adquire, aí, um profundo teor político e ideológico.
Enfim, qual é a função da moda?


A supremacia dos veículos de comunicação de massa na criação de padrões entra até no campo da saúde.
A formação de um estereótipo de “corpo saudável”, cheio de exigências.


Vivemos o mito da saúde perfeita, figurado pela metáfora do Adão sem Eva: um corpo desprovido de sexualidade, desprovido dele próprio... (Já dizia Le Breton em Adeus ao Corpo)



E os Atores representando ações cotidianas?













Procura-se o padrão de beleza e da banalização da interpretação.
O Ator santo x Ator cortesão
...o ator cortesão barganha seu corpo, o utiliza para auferir lucros, ganhar prestigío, não prioriza a arte da interpretação, da transcendência através da arte; o que para "os santos" beira à prostituição.













A verdade é que a mídia eletrônica educa o gosto do público, e infelizmente, essa educação se faz não pelo criador e pela ruptura, mas pela eterna redundância de se dizer sempre mais e mais the same ideia.
























Concluindo...
























O sistema artístico não pode submeter-se a padrões estabelecidos pelos meios de comunicação de massa que visam o lucro e, portanto, não podem trabalhar com alta taxa de informação. A "verdadeira criação" exige mais empreendimento, mais invenção.













A moda deve servir o sistema capitalista de consumo e criar padrões de comportamento vendáveis ou deve situar-se no campo da criação, da ruptura? É uma opção ideológica. Toda opção nesta área é necessariamente política e social.

Qual a relação da moda com o corpo? É o corpo que veste a roupa ou a roupa que veste o corpo?

Estamos trocando os papéis? Estamos sendo engulidos por uma imensa camisa de força... e o pior é que nós tanto a pedimos e cultuamos...





Estudos sobre o corpo

por Renata Santiago
Bibliografia:
O CORPO MÍDIA: MODOS E MODA
Carlos Gardin
Foto:::: olhares.com

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